Poucos sabem da onde ou quando exatamente eles surgiram, mas todos podem concordar com uma coisa: os livros de colorir para adultos já viraram febre no país inteiro, atraindo cada vez mais adeptos. Só na semana do dia 20 a 26 de abril, dos dez livros mais vendidos no Brasil, cinco eram desse segmento: do primeiro ao quinto lugar, estão, respectivamente, Jardim Secreto (67.993 cópias), Floresta Encantada (59608), Jardim Encantado (9739), Fantasia Celta (9228) e Mãe, te amo em todas as cores (6755).

Esses números, retirados do site PublishNews, impressionam. Afinal de contas, esse fenômeno é bem recente aqui no Brasil e mesmo com pouco tempo, já tem um grande número de fãs. E é claro que as livrarias estão sabendo lidar bem com isso: A da Travessa, por exemplo, fez encontros em algumas das suas unidades para que as pessoas pudessem colorir juntas. Alguns leitores nem precisam desse empurrãozinho: organizam, por si próprios, essas reuniões anti-estresse.

A questão que fica é: da onde surgiu a ideia de resgatar um passatempo da infância para ajudar os adultos a combaterem os sufocos do dia-a-dia? A resposta é dada pela “criadora” desse sucesso, a escocesa Johanna Basford, autora de O Jardim Secreto. De acordo com ela, a ideia surgiu quando seu editor pediu para que ela criasse uma publicação para crianças. Johanna disse criaria sim, mas para um público diferente: os adultos. Nem ela imaginou a repercussão que isso teria.

Em entrevista para o NPR Books, a autora disse que sua caixa de entrada ficou abarrotada de mensagens positivas e de incentivo, além de receber fotos das páginas já coloridas pelos seus fãs. Johanna arrisca dizer qual foi o grande diferencial que fez o seu livro um sucesso: “Você não tem que sentar em frente a um papel branco ou ter aquele terrível pensando ‘O que posso desenhar’? As linhas já estão lá, então é algo que você pode fazer em silêncio por horas, sabe, algo quieto e tranquilo”.

E esse efeito tranquilizador ajuda mesmo. De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, os mais estressados são aqueles que mais se beneficiam da atividade, já que a ideia é fazer a pessoa parar suas atividades por alguns momentos e tentar não pensar em nada, apenas se concentrar nas cores escolhidas para um visual harmonioso. Esse hobby pode até ajudar a resolver problemas: ao pintar com alguém, o casal pode aproveitar o momento de tranquilidade para conversar assuntos que necessitam de calma e tempo.

Apesar das grandes vantagens (afinal, é algo bastante acessível: não requer treinamento ou aprendizado), nem sempre os livros de colorir bastam. Para aquelas pessoas cujo nível de estresse chega a afetar grande parte das atividades diárias, o aconselhável é procurar um profissional, para trabalhar na busca de um auto conhecimento.

“Colorir pode fazer parte do arsenal de combate ao stress, mas não ser chamado de tratamento. O stress tem muitos sintomas que devem ser olhados com cuidado e devidamente tratados para não piorarem e se transformarem em algo crônico ou mais grave”, alerta a psicóloga.