Em 1993, quase todas as televisões brasileiras estavam sintonizadas na Rede Globo assistindo Corpo e Alma, novela de Glória Perez que subjetivamente fez críticas à morosidade da justiça pela morte de Daniela Perez, sua filha, assassinada por Guilherme Pádua, seu par romântico na novela. Com a trama em audiência forte atingindo 51 pontos, a telenovela marca a maior audiência da história com o sistema peoplematter.

A mediação de audiência televisiva, no Brasil e na América Latina, é feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) que realiza este serviço há mais de 70 anos. Por ser considerado um dos institutos de audiência mais importantes do País, nos pautaremos por ele.

Todo produto feito pela televisão ou rádio tem um intuito em comum: ser líder de audiência. Esse objetivo os levam a fazer o que for preciso para alcançar uma boa visibilidade da população. No Brasil, a audiência, ainda em 1991, era feita de porta em porta, e o cálculo era em um universo de 100 casas que serviam como amostra. Como era um sistema de checagem muito arcaico, foi desenvolvida a pesquisa através do peoplematter, usado até hoje, que, de acordo com Adalgisa Ribeiro, diretora de ações do Ibope. Um ponto equivale a 1% do universo pesquisado, considerando isso e pegando a grande São Paulo, equivaleria a 60.204 lares. Devida esta mudança, a TV brasileira possui vários campeões no ranking de audiência.

Um dos vencedores desse ranking foi da Rede Globo no jogo da Copa do Mundo em 2002, em que o Brasil venceu a Turquia na semifinal por 1×0 com um gol de Ronaldo. Na época, o Ibope registrou 75 pontos, o que equivalia a 47 mil domicílios.

Em 2005, também na Rede Globo, quem obteve um dos maiores pontos de audiência da TV brasileira foi a novela América, de Glória Perez, que pela primeira vez mostraria, em rede nacional, um beijo entre pessoas do mesmo sexo no último capítulo. Esse foi um dos maiores rankings até hoje na TV.

Na meio jornalístico, o Jornal Nacional é detentor do maior índice de audiência da televisão brasileira. Este ano, no mês de abril, o Jornal Hoje foi o programa de televisão que mais apresentou audiência no horário vespertino com 12 pontos fechados. A noite, o Jornal Nacional também fechou como o produto mais assistindo pelos brasileiros, atingindo mais de 20 pontos.

rede globo

No decorrer dos anos, a luta pelo primeiro lugar não é nada limpa. Aí que entra a importância de tratarmos a audiência dos programas de televisão na sociedade brasileira. Um jornal, ou novela, mexem no comportamento das pessoas, ocasionando tendências. Muitos duvidam da credibilidade do Ibope. Há casos de acusação do instituto beneficiar a Rede Globo, por ter os maiores índices, principalmente quando em 1986, a novela Roque Santeiro atingiu 96 pontos com picos de 100, ou seja, o país inteiro assistiu ao fim da novela.

Alguns telejornais parecem ensaiar para chegar ao topo da pesquisa feita pelo Ibope com chamadas ou comentários polêmicos, como é o caso do jornal SBT Brasil, apresentado por Raquel Sheherazade, Joseval Peixoto e Carlos Nascimento. Os jornalistas marcam seu editorial com duras críticas ao sistema político brasileiro.

Não obstante, o Jornal Nacional, atualmente apresentado por Wiliam Bonner e Renata Vasconcelos, também já teve seus momentos polêmicos como em 1994, quando o então apresentador Cid Moreira leu a carta do então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. Na época, a justiça determinou que a emissora desse direito de resposta em horário nobre.

Prestes a se candidatar, Brizola começou a ser atacado pelo jornal O Globo, com assinatura do ex-Deputado Estadual Alcides Fonseca (PDT). Brizola reiteradas vezes pedia direito de resposta no jornal, porém não era atendido. Após declarações polêmicas, em 1992, afirmando que o então prefeito da Cidade, Marcello Alencar, deveria tirar exclusividade da Rede Globo em cobrir o carnaval, O Globo novamente liberou um editorial chamando Brizola de doente mental e o criticando por suas relações institucionais com o então presidente, Fernando Collor.

Casos como este demonstram que existe poder político em jogo, mas tudo eleva a audiência do produto. Isto interfere na sociedade e evidencia que o cidadão deve sempre questionar a veracidade dos fatos e não tomar por absoluta verdade aquilo que apenas um meio de comunicação diz. Por situações como esta, a TV e a igreja deram forças à ditadura militar.

Cabe aos jornalistas o compromisso com a verdade e assim instigar o senso crítico do cidadão, e cabe ao telespectador questionar e analisar as informações que recebe.