Não é novidade para ninguém que os hábitos de leitura do brasileiro vivem uma realidade preocupante. Embora se saiba que o consumo de livros vem sofrendo uma grande ascensão nos últimos tempos, seja em virtude de várias iniciativas como o contraditório advento do mercado literário digital, ou mesmo pela crescente produção e venda de ferramentas, como os criativos marcadores e seguradores de página, o interesse por aquele que é chamado por vezes de porta para o conhecimento ainda é fraco.

O brasileiro, que ainda hoje pode ser chamado de Macunaíma, em alusão ao personagem eternizado por Mario de Andrade, parece não se importar com o fato de que quem lê sabe mais, tem maior abrangência e propensão ao conhecimento, a um passo de se tornar alguém bem sucedido, além do fato de estar a um passo do aspecto mais importante: o de que a leitura traz poder de crítica.

Pensando em uma análise mais profunda do tema, foram revelados dados alarmantes oriundos de uma pesquisa recente feita pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro: 7 em cada 10 brasileiros nem sequer tocaram em um livro no ano de 2014. Realizada em 70 cidades de nove regiões metropolitanas, o mapa do interesse pela literatura no Brasil mostra uma realidade que não condiz com as expectativas.

A maioria dos entrevistados alega que não leem ou frequentam atividades culturais por falta de hábito. Mesmo com uma situação econômica que tem por tendência a evolução, ainda que lentamente gradativa, o que os leitores mais criticam é o preço dos exemplares.

Ainda de acordo com a Câmara Brasileira do Livro, no ano passado o Brasil possuía 26 milhões de leitores ativos, isto é, aquele indivíduo que lê pelo menos 4 livros por ano, o que é pouco para uma população com cerca de 200 milhões de habitantes. Ainda de acordo com o Ministério da Educação, a maioria dos livros produzidos Brasil é de livros didáticos.

Em busca de mudança

Brasileiros leem

Muitos se perguntam: o que fazer para mudar essa realidade? Especialistas afirmam que além do apoio da escola ao incentivar o aluno desde a infância a frequentar bibliotecas, o incentivo maior deve vir de casa, através dos pais. A criança que nasce em uma família de leitores, certamente terá uma maior propensão a ingressar nesse universo fantástico e embriagador que os livros podem proporcionar.

Mais uma vez, as constatações são atestadas por uma pesquisa. Recentemente publicada pelo Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (INAF), a mãe é apontada por 41% dos entrevistados como uma das duas pessoas que mais influenciam o hábito, e consequentemente, a paixão pela leitura. Em seguida aparecem os pais e os professores, com 24% e 36%, respectivamente.

Um dado do INAF parece sustentar essa opinião: a mãe é apontada por 41% dos entrevistados como uma das duas pessoas que mais influenciam o gosto pela leitura. Professores são citados por 36%, e o pai, por 24% dos entrevistados.

Alternativas

Hábito de LeituraNão há desculpas para reclamar de preços estratosféricos. Ainda que muitos sejam caros e que a tentação de montar uma biblioteca em casa seja inevitável, há uma boa notícia: o número de bibliotecas, cada vez menos usadas, tem crescido. À disposição de novos e – preferíveis – assíduos leitores, garimpar as prateleiras pode ser uma boa ideia, indo além do fato de ser um simples passatempo. Levar a criançada e habituá-las a frequentar lugares com forte presença literária, bem como livrarias, é outra ideia.

A publicidade, em seu papel persuasivo, também pode ser uma aliada do incentivo à prática de leitura. Na última semana, em parceria com a TBWA\Paris, o McDonald’s doou cerca de 5 milhões de e-Books para a América Latina em um projeto inovador, titulado “O poder dos livros”.

Chamando a atenção de adultos e crianças no Parque Guinle, no Rio de Janeiro, o objetivo da campanha foi destacar o compromisso da rede com a leitura – novo pilar instituído em sua estratégia global de bem-estar, iniciada em 2013. O McDonald’s produziu uma encenação no parque, com crianças correndo e brincando e dentro do cenário, onde uma senhora entra em cena e começa a contar uma história.

O contraste com o início da cena e a mensagem passada pela ação são claros e impactantes: A temática que, inclusive, já foi tema de redação do ENEM 2006, explicita que o McDonald’s acredita no poder de transformação dos livros. E não só ele deveria acreditar.