Sabemos que o instinto farejador, questionador e senso crítico caracterizam um bom jornalista, mas essas características também dão propriedade aos textos dos bons filósofos. Ambos possuem muito em comum e ao mesmo tempo suas particularidades.

Para entendermos melhor essa relação Arthur Moreau, estudante de Filosofia na USP compartilhou com o Coisas de Jornalista suas reflexões a respeito do tema.

Para o filósofo, o jornalista e o filósofo são comunicadores, mas as orientações para as construções e temáticas de seus textos são distintas. “O jornalismo trabalha com a palavra, com a construção de frases, textos e com a linguagem. A filosofia também, mas de uma maneira diferente. Talvez o que mais aproxima os dois é a interpretação. O mundo está aí e precisamos lê-lo para vivermos, sobrevivermos e nos entendermos”.

A relação entre as duas ciências que modelam as palavras para formarem textos

Há uma seleção de quais informações que cada tema, que cada texto ou reportagem se deve fornecer. Na filosofia, também existe a pretensão de ler as informações, o mundo e os detalhes. Porém, não há regra de como se formular um texto filosófico, não há um manual para ser seguido.

É importante que o Jornalista conheça, pelo menos um tanto quanto, o que já foi dito e escrito de mais importante sobre ética e ideologia. Isso pode afetar todas suas considerações de como compreender seu trabalho, a empresa onde trabalha, como lidar com seus colegas, fontes e entrevistados.

Por exemplo, para o jornalista que trabalha com cultura e arte, conhecer sobre estética é um diferencial, o jornalista político conhecer filosofia política, o de ciência conhecer lógica e filosofia da ciência, etc.

Assim como entender o juízo estético de Kant, acrescentaria muito ao profissional as reflexões do Benjamin sobre cultura e arte, as críticas de Adorno à sociedade, as reflexões de Deleuze sobre criação, etc.

Acervo Cultural Próprio

A bagagem irá elevar a capacidade de leitura, compreensão e interpretação com olhar diferenciado. Isso contribuirá para um trabalho mais interessante do que apenas informar o que é apresentado.

A filosofia nos ajuda a refletir sobre o mundo das razões, das motivações, das causas de como o mundo é, como a humanidade conduz o mundo, as regras, as escolhas. Ela nos ajuda a questionar, criticar e dar bases intelectuais para as transformações. ”

Podemos entender que a interpretação do universitário demonstra a necessidade do Jornalista em se aprofundar mais na filosofia para dar mais propriedade e bagagem aos textos, tornando assim suas palavras e ideias mais consistentes e destacando-os dos demais profissionais da área.

E vocês, acreditam que essa relação existe? Conseguem destacar mais pontos afins?